sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Economia de espaço



[Por Luis Navarro]


Oi, pessoal. Tudo bem?

Hoje gostaria de falar sobre um pequeno detalhe que faz muita diferença em um ambiente: espaço.

Geralmente temos muitos objetos para que precisam ser alocados em espaços muito pequenos.

Na foto abaixo vocês podem ver um armário que se encaixa em qualquer ambiente.



Ele foi projetado por mim para um escritório de advocacia. Mas eu não gosto de escritório com cara de escritório!

Antes dessa alteração, eles tinham três armários de ferro com pastas suspensas. Sim! Aqueles mesmo que vocês estão pensando, os de ferro na cor cinza, que dá depressão só de olhar.

Reformei todo o escritório, mas é para esse detalhe que eu queria chamar a atenção de vocês, pois com um bom projeto é possível ganhar muito mais espaço.

O armário ficou muito clean e ainda acrescentou 8 gavetas e mais 4 portas para arquivo morto.

Esse projeto me rendeu a casa da cliente, também. Um dia eu mostro para vocês.

Abraços e até a próxima semana!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Vamos falar de arte



[Por Eliane Sampaio]


Vocês devem estar pensando: falar de arte novamente?

Fiquem tranqüilos, desta vez é sob uma nova ótica, e não sobre um conceito (tenho plena consciência de que sou chegada num conceito).

Não querendo ser redundante e já sendo – emprestei a frase do Jô -, adoro arte! Ela já me salvou muitas vezes.




O que faria com uma grande parede branca na circulação de um living, não fosse essa tela do Cláudio Tozzi, com todo impacto que proporciona?




E com esta parede, digamos, inexpressiva, ao lado da chapelaria e em frente à porta principal, sem a tela do Gregório Gruber, com toda a serenidade e o lirismo que buscava?




E agora esta? Uma parede com pé-direito altíssimo, ao lado de dois painéis de madeira do Galvão. O que fazer para não concorrer com a linguagem destas obras?

S.O.S no Ateliê Adriana e Carlota, que produziram os painéis compondo diferentes formatos e texturas em branco. Sinceramente, a foto não faz jus ao o que eles são: fantásticos.

Acho ótimo que eu tenha me salvado com obras de tão bons artistas, mas nem sempre é necessário tudo isso.

Vejam bem: se não temos um Tozzi, que tal uma gravura com conceito e cores impactantes? O mesmo vale para o Gruber, o Galvão e a Carlota.

Não basta ter uma obra de arte se ela não é exposta de acordo. Não é possuir por possuir. Melhor belas gravuras bem colocadas do que obras de arte inexploradas. Tinha prometido não expor conceito lembram? É inevitável...

Sabem, recebo catálogos de lojas de moda com fotos que são pura obra de arte – foto é obra de arte, claro. Mas chegando pelo correio?

São produções esmeradas, com foco, luz e locações de enorme sofisticação. Não raro, sequer possuem modelos ou roupas. Guardo-os porque valem uma produção.

Portanto, de hoje em diante, atenção ao carteiro: ele pode estar entregando uma obra de arte para você.

Até mais!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Misturando tecidos e texturas



[Por Luis Navarro]


Oi, pessoal! Tudo bem?

Hoje vou falar de um projeto especial, muito bom de fazer. Não pela facilidade ou pela confiança que os clientes depositaram em mim, mas pela necessidade de atingir alguns objetivos.

Pode parecer que seguir exigências é um empecilho ao trabalho do profissional, mas eu encaro como desafio. Vejam só.



Esse casal jovem, com filhos pequenos, queria uma sala bonita, aconchegante e realmente utilizável, pois não adiantaria proibir as crianças de sentar e curtir o ambiente.

Por isso, nem pensei em usar tons claros.

Optei por tecidos reforçados com uma película impermeabilizante.

O living e a sala de jantar praticamente formam um único ambiente, pontuados por preto e aço.

Vejam o meu cuidado: a poltrona tem uma mescla de cor de aço (seda) e chenille preto. O mesmo tom de aço é usado no tapete da sala de jantar.

O sofá maior é todo em chenille preto e o único objeto que se diferencia no ambiente é a almofada na cor mostarda, que deu um ar bem contemporâneo.

Para fechar o tom de aconchego, usei revestimento de palha na parede.

Tenho certeza de que se vocês lessem achariam a mistura muito estranha se apenas vissem as fotos, sem ler o texto.

Eu, quando olho para essa sala, vejo um ambiente com muita “bossa”.

Espero que vocês gostem.

Abraços e até a próxima!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Idéias de iluminação para a sala



[Por Fernanda Marques]


Olá, amigas e amigos!

Hoje eu gostaria de falar um pouco sobre a importância de um bom projeto luminotécnico para as residências. Afinal, se há um elemento capaz de mudar a atmosfera de um ambiente, para o bem ou para o mal, esse elemento é a luz.

Em atenção à melhor maneira de aproveitar todos os lugares de uma residência, projetos diferenciados fazem todo o sentido. Assim, a sala merece um tipo de iluminação, o escritório outro, a varanda, os quartos, a cozinha, o banheiro etc. Como o assunto é muito extenso, hoje vou fazer algumas considerações sobre a sala, ok?

É a área central da casa, onde muita coisa acontece. O projeto luminotécnico vai depender um pouco da planta. Se a sala for em "L", pode-se ousar mais. Se for pequena, menos.

Caso seja grande (mais de 30 metros quadrados), aí dá para fazer muita coisa, com elementos mais cenográficos para um cantinho especial, mais iluminado para o setor coletivo.

Tudo vai depender do partido a tomar. Isto é, o que você quer da sua sala: um ambiente mais espontâneo, alegre, ou mais intimista, recatado? Com a luz, é possível ter as duas coisas, dependendo dos botões a apertar.

Há dois tipos de iluminação: a natural – que vem do sol - e a artificial, que conseguimos por meio do uso de lâmpadas, luminárias e abajures .

Luminária de design pode enriquecer a decoração - Edu Girão.

Na sala, mesmo os ambientes mais enxutos podem ser privilegiados com o uso correto da iluminação. Cortinas, por exemplo, ajudam a atenuar a luz do sol; à noite, podemos fazer uso de sancas iluminadas nas cortinas (aquelas pequenas aberturas no forro de gesso, onde fixamos o trilho da cortina ), que proporcionam um efeito muito bonito.

Dependendo do seu estilo de vida, a sala pode adquirir uma iluminação muito peculiar. Às vezes temos o lugar de assistir TV, do estar e do jantar no mesmo ambiente. Nesses casos, o ideal é criar possibilidades de separação para os pontos que podem ser iluminados. Por exemplo: você pode ligar as luzes da sala de estar, de jantar ou da estante (no caso de você ter a TV na sala) separadamente ou todas ao mesmo tempo. E para aumentar a versatilidade, é importante ter tomadas para abajures e luminárias avulsas.

Quando se assiste à TV, o ideal é que o ambiente fique mais aconchegante, com uma iluminação menos intensa, que interfira menos no contraste e nas cores da imagem.

Ambiente da TV com iluminação mais branda, privilegiando a imagem - Celia Weiss.

No jantar, algumas pessoas preferem ter à mesa os pratos e copos (principalmente se forem de cristal!) bem iluminados.

Iluminação sobre a mesa de jantar, destacando cristais, vidros, e produção da mesa - Edu Girão.

Agora, quando se recebe visitas, o ideal é que o tipo de iluminação varie conforme a ocasião. Num momento mais íntimo, podemos apagar todas as luzes e fazer uso de abajures com iluminação amena. Em outra ocasião, podemos preferir o ambiente mais claro, mais nítido.

Iluminação mais intimista, com auxílio de abajures e luminárias - Cristian Parente.

Como vocês podem ver, há inúmeros recursos. Até mesmo um simples abajur, ou uma pequena luminária, podem melhorar e incrementar sua sala!

Até a próxima!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Os materiais simples



[Por Luis Navarro]


Oi, pessoal! Tudo bem?

Esta semana estava lendo uma reportagem com o Marcelo Rosenbaum. Ele falava sobre objetos simples para os quais geralmente não damos bola.

São aqueles objetos de família, que algumas vezes são “over” e dificilmente se encaixam na decoração.

Mas o Marcelo usa e abusa desses elementos fortes e da brasilidade.

Sempre que o encontro, ele me conta de maneira animada e descontraída como elaborou seus projetos.

Gosto muito do trabalho dele. O cara realmente tem muito talento no que faz.

Mas voltando ao assunto.

Depois de ler essa reportagem, fiquei pensando nos projetos em que usei materiais simples e que foram resolvidos de maneira adequada, de acordo com a necessidade do cliente.

Sempre falam que é muito fácil desenvolver arquitetura e design de interiores quando se tem uma verba farta... é verdade! O desafio vem quando nos deparamos com pouca grana.

Neste meu projeto, tive que edificar e decorar uma escola alternativa. A proposta é fazer com que a criança tenha contato com a natureza e aprenda desde cedo a pensar no planeta.

Para o lavatório da escolinha, utilizei materiais bem simples, como cimento queimado e arenito vermelho. A torneira é uma válvula de gás.



Com esse ambiente, ganhei o Prêmio Deca (e aqui entre nós, vários concorrentes usaram mármore e peças muito mais caras em seus projetos).

Espero que vocês gostem.

Abraços e até a próxima!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Às crianças, quartos de crianças



[Por Eliane Sampaio]


Aproveitando que acabamos passar pelo 12 de outubro, dia das crianças, que tal um post dedicado a elas?

Tem coisa melhor do que criança?

Ser mãe, então, nem se fala. Já ser pai, não sei, pois a natureza não me permite conhecer esse lado, assim como não permite aos homens conhecer o estado maravilhoso da gravidez e a sensação de amor pleno na amamentação. Que pena para eles...

Sabe o que eu acho que mais encantador nas crianças? Sua sinceridade e espontaneidade. Pena que temos de moldá-los à convivência em sociedade, que muitas vezes trata a espontaneidade na vida adulta como sinônimo de falta de educação.

Eu sempre me pergunto o que leva muitas crianças a serem adultos precoces. Ou o que leva jovens a terem atitudes de desrespeito com outro ser humano.

Será que o avanço dos meios de comunicação - a internet é um exemplo - é responsável pela substituição de atividades antes meramente infantis e juvenis? Será essa a causa para tal comportamento?

Ou serão os “avanços” no conteúdo dos programas de TV aberta, e até mesmo nos desenhos animados na TV a cabo, os vilões da história?

Tenho comigo que a evolução é natural e inevitável. Mas, com relação às crianças, não acho natural e nem inevitável que o conteúdo ao qual elas estão expostas seja de tão baixa qualidade.

Na minha opinião, não atentar para esse tipo de bombardeio resulta em meninas travestidas de mulher, com trejeitos sensuais. Ou em jovens que acham divertido atear fogo em pessoas ou espancar uma mulher que nem conhecem, por julgá-la segundo os seus padrões de moral, ou seja, padrão nenhum. O que fazer, então?

Tenho dito que nossa casa, nossas vestes e nossa alimentação são espelhos do que somos. Hoje vou além: também nossos filhos são espelhos do que somos.

O que fazer? Ter controle da situação. E para ter controle da situação, é preciso muito trabalho e atenção. É preciso dizer muitos NÃOS e participar do mundo deles, não trazê-los ao nosso. O que é isso, se não amor?

É, dar amor verdadeiro é muito trabalhoso, mas a relação custo x benefício é incalculável. Dar amor é respeitar a idade de nossos filhos, respeitar o direito que têm de ser criança até deixar de sê-lo por própria conta.

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Para variar, vou falar também de decoração. Como inserir esse assunto no contexto acima? Fácil, fácil.

Tenho uma cliente que é super-jovem, super-executiva e super-mãe. Desde o início das obras da sua casa, ela me pedia que os quartos dos filhos fossem bem infantis, de acordo com a idade e preferência deles. O menino de 5 anos ama futebol e a menina de 3, bonecas.

Nós nos demos muito bem em todos os setores da casa, principalmente nos dormitórios dos filhos.

Compartilhamos a opinião de que as crianças, se tratadas como tal, se incentivadas em suas crenças e fantasias, viverão a infância de forma plena, sem pular etapas, e serão jovens e adultos melhores. Tudo a seu tempo.

Não ignoramos a tecnologia. Deixamos toda a infra-estrutura para computadores, TVs, DVDs, som e games para quando ela achasse conveniente instalá-los, sem precisar fazer reforma alguma.

Entendam bem, não podemos ignorar que os tempos mudam e há evolução. Não estou sugerindo aqui que criemos nossos filhos de forma totalmente dissonante do mundo real.

Mas é real também o amor dos meninos por futebol e bombeiros e das meninas por bonecas e adesivos. E ambos nutrem um real amor por Lego. Por que não incentivá-los?

Adorei fazer estes quartos que têm a cara delas.



Às crianças, quartos de crianças.

Até mais!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Coleções e hobbies



[Por Luis Navarro]


Oi, pessoal! Tudo bem?

Uma das coisas de que eu mais gosto na minha profissão é a diversidade de pessoas que acabo conhecendo.

Cada uma delas tem uma história e um costume diferente.

E quando faço um projeto, sempre pergunto: "Qual é o seu hobby? Tem algum tipo de coleção?".

Com isso, posso dar uma personalizada no ambiente e colocar itens de que o cliente gosta.

Como de costume, gosto de mudar e sair do óbvio. Veja só o caso deste meu cliente.

Ele é apaixonado por motos e tem na garagem 3 Harley Davidson.

Como um bom fã de Harley, ele possui vários itens da marca. Lógico, se eu colocasse tudo que ele pedia, a casa iria parecer uma loja da Harley.

Quando olhei a coleção com mais de 80 miniaturas de motos, logo vi que daria uma boa brincadeira na decoração.

O óbvio seria mandar fazer um móvel e colocá-las dentro. Eu quis fugir disso, então propus criar uma seqüência de caixas com as motos dentro.



Assim mostro as motos de maneira diferente e tudo fica sempre arrumado.

Espero que gostem!

Abraços!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Cenografia e anáguas



[Por Luis Navarro]


Olá, pessoal!

No último fim de semana fui assistir a uma peça de teatro e acho que ela merece alguns comentários aqui.

A peça é a “A alma Boa de Setsuan”, de Brecht. Gosto muito do trabalho do Brecht, pois contém uma crítica social bem sutil. É também uma ótima opção de divertimento e, além de Denise Fraga e Ary França, conta com outros ótimos atores.

A cenografia, especialmente, foi muito bem resolvida. Todos os atores ficam no palco e cada um deles tem um “módulo” de camarim.

Esses camarins com roldanas são movimentados, criando ambientações para o desenvolvimento da trama.

Cenografia, aliás, é um desafio muito grande para qualquer profissional - e é um trabalho que eu adoro executar.

Recentemente convidado pelo Senac para fazer a cenografia de um trabalho de graduação em que as peças exibidas eram anáguas.

Sim, anáguas: aquelas que as nossas avós usavam. Era um tipo de vestimenta que se usava por baixo da saia, com ou sem estrutura. Vejam:



O local designado para essa mostra foi um corredor. E isso dificulta qualquer instalação.

Quando olhei as peças, fiquei encantado com a beleza do trabalho da estudante. Ela saiu do óbvio e desenvolveu um sistema para pendurar as anáguas, fazendo-as "levitar".

De minha parte, criei luminárias e as instalei de forma que todas as anáguas recebessem focos de luz de maneira bem cênica.

Para amenizar os espaços vazios, coloquei alguma lycras esticadas, dando sentido de ambiente.

A intenção era que as pessoas andassem entre as anáguas e sentissem a sensação de levitação.

O impacto visual ficou bem marcante.

Espero que gostem.

Até a próxima semana!